A aula começou. O professor entra, escreve, apaga, escreve, clichês não são permitidos, discurso direto também não, tira o verbo do título, título não é oração, título não tem ponto final. Liga o ventilador, acende a luz, desliga o ventilador, pára a conversa, leia isso, não, leia aquilo, faça isso, escreva isso; te controlo, tenho poder. É no ritmo acalorado do inverno que tudo piora, os professores desistem, os alunos desanimam, as provas chegam, alguns fogem, outros estudam, outros se desesperam, uns pedem ajuda pros outros, outros ignoram uns, uns se descabelam com os outros, outros riem dos uns, todos esquecem.
Então eu sento e observo com curiosidade. Que loucura, eu penso. É tanta conversa e tantas vozes... Cadê eu aí? Não sobrou nem o traço pontilhado da minha forma cartunizada.
Suspiro.
Depois do caos do dia, qualquer um só precisa de uma coisa - mas essa coisa não precisa de qualquer um.