quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
The Green Mile
Nesse final de férias, os dias têm passado como meses: arrastados, lentos e dolorosos. Cada hora do dia é algo que eu deixo para mais tarde. Atraso meus deveres e prazeres para no fim me surpreender com o relógio e o calendário. O dia passou; e eu na mesmice. Mas parece absurdo viver esse fim de férias, porque minha última semana é como a preparação pra guilhotina. Medo. Aceitação. Arrependimento. E ainda assim, um pouco de ânsia. Vontade de me jogar no rio de jacarés, pronta para ser devorada e destroçada até a morte. Mas a verdade é que, talvez, no fundo, no fundo, esse desejo venha da certeza, ainda que pequena, de que eu vou sobreviver. Fora de casa, longe do conforto, sozinha no rio de jacarés esfomeados, o nado não vai ser tranqüilo, mas eu sei que vou conseguir. E talvez, no fundo, no fundo, o medo seja do outro lado. Talvez essa não seja a cadeira elétrica. São apenas quatro anos de caminhada lenta pela milha verde.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Verão
Não suporto mais desse céu azul e sol brilhante! Quero cambalear pelas calçadas coberta até o pescoço de pano grosso e escuro, quero cabelo caindo nos olhos e risada trêmula de frio. Quero narizes vermelhos e vozes roucas.
Quero edredon de infância e carinho de mãe com sopa.
sábado, 9 de janeiro de 2010
Se houvesse como apagar memórias da minha vida, não sei se apagaria você ou se apagaria aquela noite. Não se magoe com minha honestidade; é dor momentânea de memória de elefante. Cabeça dura, que mexe e remexe o que já estava morto. Você tenta criar um novo, eu sei. Eu vejo. É bonito, o que você criou. É alegre. Mas não é o que já morreu. Tem a mesma aparência, o mesmo cheiro, o mesmo gosto... mas não é igual. E é por isso que eu mexo e remexo: porque o de antes era tão perfeito, mas você deixou cair no chão.
Mas não se magoe, meu amor. Dê uma caminhada depois do bom acontecer. Diferente às vezes é melhor.
Ninguém nunca vai te amar como eu te amo.
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