sábado, 14 de novembro de 2009
enfia no cu, beijos.
MAS QUE INFERNOOOOO! Sério, vão todos arranjar um novo tapete pra pisar, porque eu tô cansada de servir de saco de pancadas moral de quem NÃO TREPA.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Dear Jenny
Triste, mas verdade, a verdade pode transformar seu sorriso numa careta, então pra que reclamar? O mundo é bonito de cabeça para baixo.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
I don't love you anymore, goodbye.
Nem sempre o que é bom engorda. O que é bom também machuca, deixa feridas abertas pro tempo sarar. Mas nem sempre o relógio serve de esparadrapo. Nem sempre o som do tique taque tranquiliza ou ao menos anestesia. Às vezes o melhor remédio é uma boca - não um beijo infantil ou falsas promessas, mas palavras verdadeiras, sem medo de perder, machucar ou ser machucado. Às vezes o melhor remédio é um olhar; um olhar verdadeiro, tranquilizante, que fala sem ter boca. Há vários remédios para um coração partido, mas a verdade inegável é que o melhor de todos é a verdade: às vezes pode não sarar, mas pelo menos limpa o lugar e deixa o relógio fazer seu trabalho.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Insanidade ao contrário
Vai, cérebro, funciona. Quisera eu ser insana, porque pelo menos esses são felizes. Vivem suas vidas sem perceber o tédio do mundo e como tudo pode ser tão estupidamente monocromático. A minha doença não tem nome. Ela pesa os olhos, derruba os ombros, distorce a expressão, tira aquele it que todo mundo tem. Porque todo mundo nasce com isso, mas só aparece mais tarde, quando alguma coisa acontece; quando algum agente dispara a doença e ela começa a agir.
Primeiro é devagar, você acha que é cansaço. Depois é mais forte, você culpa os hormônios. No final é insuportável, não dá pra entender, você culpa umas sinapses mal feitas, um parafuso solto, um curto circuito; qualquer coisa. O mais próximo é a insanidade, mas quisera eu ser insana, porque pelo menos esses são felizes.
Essa doença tem um diagnóstico, mas não é físico, hormonal ou mental.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Alguns dias
Alguns dias passam como se não fossem nem um pouco meus... Eu sou uma estranha na casa de outra pessoa, dormindo na cama de outra pessoa, vestindo as roupas de outra pessoa, poluindo o monóxido de carbono de outra pessoa. Mas não importa o quão fora do meu corpo minha mente está, os lábios que eu beijo nunca pertencem a outra pessoa. E é isso que importa.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Título não tem verbo.
A aula começou. O professor entra, escreve, apaga, escreve, clichês não são permitidos, discurso direto também não, tira o verbo do título, título não é oração, título não tem ponto final. Liga o ventilador, acende a luz, desliga o ventilador, pára a conversa, leia isso, não, leia aquilo, faça isso, escreva isso; te controlo, tenho poder. É no ritmo acalorado do inverno que tudo piora, os professores desistem, os alunos desanimam, as provas chegam, alguns fogem, outros estudam, outros se desesperam, uns pedem ajuda pros outros, outros ignoram uns, uns se descabelam com os outros, outros riem dos uns, todos esquecem.
Então eu sento e observo com curiosidade. Que loucura, eu penso. É tanta conversa e tantas vozes... Cadê eu aí? Não sobrou nem o traço pontilhado da minha forma cartunizada.
Suspiro.
Depois do caos do dia, qualquer um só precisa de uma coisa - mas essa coisa não precisa de qualquer um.
sábado, 19 de setembro de 2009
-
Não sei se é alma boa ou idiotice, mas não consigo deixar de fazer com os outros o que gostaria que fizessem comigo. A diferença é que nunca fazem.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
E o mundo me deixa tonta mais uma vez...
Eu pensei que, depois de 17 anos, estaria acostumada aos giros. Mas ficar parada só me deixa passando mal, então eu ando. Mas andar não é o suficiente, então eu corro. Correr cansa, então eu fecho os olhos. É o mundo que me deixa inebriada e a única coisa que me deixa feliz é um som triste.
domingo, 13 de setembro de 2009
Make a Wish
"Make a wish and place it in your heart. Anything you want; everything you want. Do you have it? Good. Now believe it can come true.
You never know where the next miracle is gonna come from, the next smile, the next wish come true. But if you believe that it's right around the corner and you open your heart and mind to the possibility of it, to the certainty of it, you just might get the thing you're wishing for. The world is full of magic. You just have to believe in it.
So make your wish.
Do you have it?
Good. Now believe in it.
With all your heart."
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Cotidiano
Uma amiga hoje me perguntou se seria melhor ela tomar o caminho mais fácil ao invés do melhor. Eu disse que, claro, ela deveria tomar o caminho que é melhor... É uma escolha simples quando se trata de coisas superficiais. Todo mundo sabe que é melhor rolar umas carícias do que meter, gozar e sair.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Amigo
Não fique bravo se o telefone toca de cinco em cinco minutos, culpe a ânsia do excesso de nicotina e falta de cafeína. A sonolência me possui, mas é assim mesmo, né? Você me conhece, porque eu sou você num grau menor. Diferentes vícios, mas iguais em essência. E quando o telefone parar de tocar - ou até durante - se você precisar, basta falar a palavrinha mágica que minha boca se fecha e meu ouvido se abre. E é assim que a gente tem que seguir: um levantando o outro quando o mundo cair.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Lua
Quando tudo está solitário, eu posso ser minha própria melhor amiga. É o livro que de uma loja mofada roubei e o café da manhã que viu o sol nascer e ainda assim esfriou. E é lendo, bebendo e fumando que eu mantenho minhas conversas com o reflexo da janela. É comigo que mantenho a discussão acalorada sobre a guerra fria; eu acho que o homem foi mesmo à lua, enquanto eu acho que é não passa de uma farsa. É nesse compasso que passo meus finais de tarde, assistindo a lua aparecer comigo mesma e retocando a máscara pro dia seguinte. Mas o que parece fácil sob o luar, de manhã nunca é.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Interseção de extremos
É o pessimismo repetido que me deixa assim, dois séculos atrasada. Onde de céis azuis tiro ausência de nuvens e de céis nublados tiro ausência de luz. Não é o Byronismo que eu procuro, entenda, é a moça do tempo que me faz o que sou. E é nessa interseção de Lord Byron e Jean-Paul Sartre que eu passo meus dias. Eu gosto e tudo continua na mesma.
domingo, 30 de agosto de 2009
Oitava Cor
Hoje o dia amanheceu com algo extra, uma presença no ar, uma oitava cor. Não consegui enxergar, então sigo a rotina com minha metralhadora mentirosa e tentando ignorar a presença estranha que pesa no peito. É como um corpo estranho dentro de mim; meu sistema imunológico consegue sentir a diferença, tenta expulsar, mas não consegue. A presença estranha não é algo que pode-se livrar facilmente: ela fica ali, à espreita, esperando o menor desvio de atenção pra se fazer entendida. Eu sigo o dia, vazia de alma, cheia de proteções e armas. Não é qualquer um que se aproxima, não, porque a presença me segura, me deixa paranóica, aumenta as suspeitas, machuca o peito. E é assim que eu passo meus dias; na distância, assistindo a tudo acontecer de cima, desejando poder controlar a cena, mas sem forças para tentar mudar qualquer coisa.
É só quando eu vou dormir que tenho paz: os pensamentos de "e se?" me invadem, me tranquilizam e me fazem esquecer a presença da ausência.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Milk Thistle
Don't be scared of nothing, you go pound for pound.
You'll bring peace to midnight like a spotted owl.
I'll be rooting for you like my favorite team.
If somebody sweats you, just point them out to me.
You'll bring peace to midnight like a spotted owl.
I'll be rooting for you like my favorite team.
If somebody sweats you, just point them out to me.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Fim do Mundo
O fim do mundo não tem prédios em chamas, gente com medo, crianças abandonadas. Não tem céu vermelho, cheiro de sangue, não tem gritos. Não tem nem barulho. O fim do mundo é o silêncio de um céu nublado com um leve tremor palpitante. São os pássaros de canto ocioso, as ruas de carros sem motores, os jornais de letras borradas, as calçadas de gente parada. Não tem nem lágrimas. Não tem despedidas. Não se vê, não se toca, não se fala. Apenas se sente.
-É um bom dia para morrer, diz uma criança para outra.
-É, ela responde.
Então tem uma lágrima. Esse é o fim do mundo.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Homesick
Every day there's a girl in the mirror asking me
"What are you doing here?"
Finding more that previous motifs, growing increasingly unclear.
domingo, 16 de agosto de 2009
sábado, 15 de agosto de 2009
mãe
Um minuto de silêncio pode dizer muita coisa. Pode ser suspense, pode ser medo, pode ser vergonha. Pode ser arrependimento. Uma olhada no rosto do seu brinquedo - aquele que você comprou 17 anos atrás e que era tão lindo quando era novo, mas agora está velho, não te diverte, sofreu curto circuito e não faz mais tudo que vinha escrito na caixa. No lugar de frases prontas e satisfatórias, sons e grunhidos que você não se importa em tentar entender. Arrependimento profundo, porque ele já não te satisfaz. O silêncio paira no ar enquanto você analisa o brinquedo e percebe que já não ama tanto. A tinta que desenhava meu sorriso desbotou, mãe, mas foi você que não cuidou direito do seu brinquedo. Tanto tempo e dedicação para conseguir o dinheiro para comprá-lo e agora, 17 anos depois, só resta o arrependimento e o rancor por ele não ser reciclável.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
10:10, 16:16, 18:18, 19:19, 20:20
Olho no seu presente a hora repetida, disfarço um sorriso, o coração aperta. Me deixa sonhar, meu amor, que o infinito nunca acaba. Me deixa sonhar que é imortal sim, mesmo posto que é chama. Eu te amo e não quero nada mais. Porque acima de te querer em cima de mim, te quero do meu lado.
Porta Azul
Música alta, roupas bonitas, corpos dançantes, shots diversos. Não sei por que saí. A porta bateu atrás das minhas costas e instantaneamente abafou o som da música alegre. Tudo o que restou foi o silêncio, o frio, o vazio. Senti medo e me virei, mas a porta não se mexeu. Estava trancada do lado de fora e sozinha. Por que eu saí? Era tão familiar a sensação, quase confortante, mas mais assustadora que qualquer coisa.
Posso ligar pra quem eu quiser. Sei de uma pessoa que já me deixou trancada de fora, mas que agora correria para abrir a porta. Sei de mil pessoas que me querem do lado de dentro. Posso ligar para qualquer um deles, mas essa porta só eu posso abrir. Desse vazio, desse frio, dessa solidão, só eu posso me salvar.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
terça-feira, 28 de julho de 2009
straight.
Hey bitch
Nice tits
You're broke but then
You're rich in love
You're great in bed
You'll see the world
You'll knock them dead
And all the thick books that you've read
Will count for nothing in the end
Nice tits
You're broke but then
You're rich in love
You're great in bed
You'll see the world
You'll knock them dead
And all the thick books that you've read
Will count for nothing in the end
quinta-feira, 23 de julho de 2009
-
Ela me controla. Ela tem meu controle remoto, mas os botões estão apagados de tão velho. Ela sabe tudo de cór, no entanto. O usa faz 17 anos com tamanha precisão que não precisa olhar pra saber qual botão faz o que. Já tentei roubar o controle e até consegui, mas que botão faz o que? Tão perdida. Só ela consegue pegar esse controle e usá-lo como quiser. Ela sempre vai me controlar e nem de pilha ela precisa.
terça-feira, 14 de julho de 2009
Meus Filmes Favoritos
Meus amigos são minha coleção de filmes. Cada um tem sua história e eu gosto de seguir com atenção máxima. Algumas partes são chatas, mas eu assisto para não perder o ápice. Já ri com todos, chorei com alguns, me emocionei com outros. Às vezes a história de um se repete no outro, às vezes tem um completamente inesperado. Alguns eu não entendo, outros me identifico. Mas o que todos têm em comum é que eu sempre torço pro final feliz.
domingo, 5 de julho de 2009
Sing
Inteligente o rádio, velha bugiganga movida à pilhas, que ouve o barulho de vidro estilhaçando, de plástico quebrando, de coração partido. Ignora seu funcionamento normal, sente o escuro no ar, escuta o barulho dos átomos se separando, luta contra sua natureza e me afaga as costas. Inteligente o rádio, velha bugiganga movida à pilhas, que sabe a música certa na hora certa, que sente o humor, a cor do vento, a tonalidade do céu, a umidade do ar. Esquenta meu corpo, costura minhas feridas e depois me trai. A música que segurava minhas lágrimas, as fazem cair. Acerta-me o rosto, faz um barulho mais alto que o do vidro estilhaçando e o plástico quebrando. Inteligente o rádio, que me estapeia, me chuta, me maltrata, me faz sofrer, me faz chorar, me faz tremer, me faz gritar. Inteligente o rádio, que sabe que há uma coisa que é como foder, exceto que não se fode. Eu canto.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Antítese Psicológica
Há algo de sobrenatural na natureza humana - ou pelo menos na minha - que nos faz tomar uma aversão à mentiras. Disfarçamos a verdade que vaza pelos buracos com alta confiança e desejo de aproximação. Passamos nossas vidas procurando quem nos escute e então falamos. Colocamos tudo para fora sem pensar nas consequências; sem se importar se aquela pessoa realmente vai guardar aquilo tudo. Afinal de contas, quanto mais cheio de hipocrisias estamos, mais vazios nos sentimos.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
O Palhaço
Vermelho no papel, preto no humor, branco no sono. Desenho um sorriso num papel usado, recorto com uma tesoura cega e colo no meu rosto com cola de bastão. Conto histórias e mentiras; me perco na linha que os divide. Limpo meu nariz sangrento no banheiro e rio do palhaço que me ri de volta através do espelho. Ele tem uma máscara porca, suja, mal feita, e eu rio de sua maquiagem borrada. Uma ponta do seu sorriso falso está caindo. Palhaço porco, imundo. Há algo que posso fazer por você? Há alguém para quem eu posso ligar para te socorrer? Honestamente, eu não queria rir tão alto. Apenas parecia absurdo dizer que você veio trazer alegria com passos atrapalhados e sorriso borrado. Afinal de contas, o vermelho do nariz do palhaço não é de sangue.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Nada
Coisas que eu gostaria de guardar num potinho pra poder abrir sempre:
Abraço da minha avó. Dormir abraçadinha com minha cachorra. Ronronar do meu gato. Ir pra escola com meu pai. Cheiro da comida da minha mãe. Cheiro de chuva quando bate no asfalto quente. Barulho do telhado quebrado do vizinho da casa da minha avó. Natal.
terça-feira, 9 de junho de 2009
Auréola
Levanto uma bagunça, me visto de roupas surradas, quebro a lei enlouquecidamente pelas ruas. O cabelo é um emaranhado de fios negros, as pernas são curtas e os braços tortos. Meus olhos ficam caídos, os passos são lentos e mal calculados e o fedor de cigarro me persegue. Com a caligrafia torta, anoto o que me obrigam. Com uma caneta roubada, rascunho besteiras nos cantos das páginas. Passo o dia em fome, passo a noite em claro. Sou uma bagunça sem fim, mas tudo faz sentido quando olho em olhos que me enxergam com uma auréola, e, por um segundo, eu acredito no reflexo.
domingo, 7 de junho de 2009
Coreografia do amor proibido
Disfarço amor com amizade, abraço com frio, olhar furtivo com distração, desejo com abraço amigável e taquicardia com beijo na bochecha.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Nosso Tempo
Morte e doenças andam de mãos dadas; algumas derrubadas pelo caminho, outras permanecendo firmes e fortes. Umas se escondem atrás de outras para não serem derrubadas e outras apenas esperam para crescer. Umas são estatísticas, outras desastres. Umas ferem, outras são ciência.
Todos esperam filosofia de tragédias, mas sentido não pode vir de algo que nunca teve nem nunca terá.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Figura de Linguagem Corporal
Meu passado é uma epígrafe de uma palavra. Encho meus dias de metáforas para tentar colorí-los, faço dos minutos arrastados grandes epopéias, vivo numa conotação sem fim. Fecho os olhos para entrar num buraco negro e me transporto para onde meu coração me levar. Faço declarações para quem quiser ouvir; as disfarço em metonímias. Converso com meus sonhos; os disfarço em prosopopéias. Choro pra quem quiser consolar; disfarço em hipérboles. Junto tudo isso, transformo numa mistura uniforme e engulo todos os dias de manhã. Sorrio para o mundo, mas na verdade não passa de uma catacrese.
sábado, 30 de maio de 2009
Quando o telefone toca
Engoli minhas mágoas, ofereci uma mão. Ignorei a pontada no peito, o sonho que me esperava do outro lado do cabo telefônico, o desejo. Esqueci minhas preocupações sem motivo, minha dor infundável e meu desejo de afundar. Vesti minha melhor luva amiga, uma capa marrom e pulei no meu cavalo azul pra salvar minha tartaruga de barriga pro sol. Ninguém ri do destino quando o telefone toca, ninguém ri de uma lágrima sem sentir uma empatia disfarçada de graça.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
O álcool entra, a mentira sai
Atiro hipocrisias em olhos brilhantes, sorrisos em meio à magoas e risadas em verdades cruéis. Espalho o cinismo de mesa em mesa, sento no colo da tristeza, me atiro nos braços da falsidade. Fecho os olhos pra não ver o que vivo e enxergar minha mais doce realidade ou o mais próximo sonho que vier. Deixo as lágrimas secarem antes de cair, a luz apagar antes de acender e jogo os braços na primeira música que escutar. Sorrio e me encontro na realidade da crença.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Sentimento Dantesco
Encruzilhadas decididas na sorte, avisos de "Pare" ignorados e sinais ultrapassados. Houveram quase-acidentes, pequenas transgressões e grandes preocupações jogadas fora. Atravessei a rua quando a luz vermelha piscou; nem correndo para tentar garantir. Joguei o futuro nas mãos da sorte, o destino nas mãos do acaso e não me arrependi de nenhum arranhão e nenhuma fratura. Os buracos fecharam, as feridas sararam, os ossos remendaram e o sangue lavado. A dor foi momentânea e minha capacidade de projeção se esgotou. Das encruzilhadas decididas na sorte, dos avisos de "Pare" ignorados e sinais ultrapassados não me arrependo, pois somente passando por esses perigos que cheguei em você; meu sonho Dantesco.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Cegueira do Sentimento
Encontrei certa vez na rua uma criança cega de coração partido. As pessoas aproveitavam de sua deficiência para simular a mesma, olhando para o lado oposto. Não sabia se ficava feliz por tê-la para mim ou triste por ela não ter quem ela queria. Prometi que não ia me cegar pelo sentimeto. Recorri ao meu egoísmo, abracei-a no meu colo e a roubei para mim. Não salvei a criança da solidão, mas sim fui salva da cegueira do sentimento. Promessa cumprida.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Pesadelos no teto e sonhos na privada
Alguém fez uma seleção dos meus piores pesadelos e colou no teto para eu nunca parar de vê-los. Onde eles estão, é impossível de alcançar. Eu sou baixa perante o desejo deles.
Dos cinco pesadelos, três se realizaram, um está perto e um nunca se realizará.
De meus sonhos já esqueci, mas o que permanece é a certeza de que dificilmente um dia eles chegarão. É como se eu tivesse pedido pela incerteza: colaram meus pesadelos no teto e jogaram meus sonhos na privada.
terça-feira, 12 de maio de 2009
Alma no banheiro
A ânsia não passa. A pia fede a vômito para combinar com minha alma; nada está aonde deveria estar. No ônibus um casal troca carícias. Uma criança brinca com a mãe no parquinho. Uma avó guarda uma foto do neto na carteira. Seu diário tem mensagens de paz e passagens da Bíblia. Tem gente feliz na televisão, no mundo, ao meu redor. Os pensamentos de todos são positivos, enquanto os meus não passam de negatividade repetitiva, chegando a enjoar. Polos opostos se atraem e eu me encaixo no mundo; puxada com força para o que eu gostaria de ser. Na pia agora limpa permanece a lembrança da ansiosidade e no meu coração ainda sujo permanece a presença.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Besides, maybe this time it's different
Esse é o último dia do início da minha vida. Ando pela rua de paralelepípedos soltos, pisando descuidadamente nos buracos, sem me preocupar com sujeira, tombos e arranhões. Estou sob aquela mesma noite, estou sob aquelas mesmas estrelas. Olho para dentro de mim, e não tem um único traço de você aqui dentro. Penso bem e lembro da risada, dos toques e do arrepio que eles causavam. Tento identificar o que eles me passam e repulsa é a única coisa que me vem à mente. Eu sorrio. Esse é o primeiro dia do resto da minha vida.
A história de um cachorro chamado Barnabé
Dizer que Barnabé era um belo cão seria uma subestimação. Com seus macios pêlos cor creme, sua expressão de cachorro levado e seu fucinho extremamente negro, tão negro que mais parecia uma jabuticaba, Barnabé era, no mínimo, o mais belo cão da cidade.
Dormia com seus donos em uma cama de molas confortável e os retribuía com seus beijos lambuzados, um extremo apreço e lealdade sem fim. Mas, acima de tudo, Barnabé era apenas um cão. Era levado para passear, soltava seus dejetos pela rua e latia para gatos. Balançava o rabo por não poder sorrir e latia por não poder falar.
Barnabé levantava com seu dono pela manhã e partia para sua caminhada matinal. Comia um pote cheio de ração para cães, acompanhava a dona pelos cantos onde sua presença era permitida e pedia carinho. Podia dormir o dia inteiro ou brincar pelo jardim. Podia ficar deitado apreciando a empregada trabalhando ou correr com as crianças. Podia comer o dia inteiro ou simplesmente dormir. Podia fazer travessuras ou comportar-se.
Mesmo visto como o mais belo dos cães, Barnabé ainda era apenas um labradoodle. Para o mundo, Barnabé não pensava e não via cores. Mas o que os homens não sabiam era que, mesmo que cientificamente Barnabé visse o mundo preto e branco, na realidade sua vida era um belo arco-íris. Do mesmo jeito que suas vidas eram cientificamente coloridas, mas teoricamente preto e branco. Eles apenas não sabiam disso porque pensavam demais.
domingo, 10 de maio de 2009
sábado, 9 de maio de 2009
Alma Limpa
O que uma orgia na casa de estranhos não faz para a alma, não é mesmo? Não tem nada melhor que descobrir que uma pessoa da qual você pensava mal na verdade é outra coisa totalmente diferente - e ainda fazer amizade.
Prefiro mil vezes um elogio de estranho e sincero que um íntimo duvidoso.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Eu e a folha de papel
A inspiração está pulsando em mim e eu não consigo achar uma via de escape, então resolvi postar aqui. Escuto Audioslave no computador enquanto rabisco minha ânsia para fora, descarregando tudo numa folha de papel inocente. Pauso e fico olhando para minha parede, observando com curiosidade o jeito como Lily Allen, Audrey Hepburn, Rita Hayworth, Marilyn Monroe, Jane Russell, Humphrey Bogart, Julie Andrews, Che Guevara e Ingrid Bergman olham de volta para mim com os pensamentos ocultos. Tem gosto de cigarro na minha boca e desejo de café na minha alma. Penso em todas as músicas que significam algo para mim e como eu gostaria de ter alguma aptidão musical para poder tocá-las; saber que aquelas notas estão ali por minha causa. Então percebo que todos que citei até agora fizeram sua parte na história e na arte e que mesmo se eu soubesse cantar um quarto das músicas que me emocionam, elas ainda perteceriam a outras pessoas. O mundo inteiro está se movendo e eu estou parada. Eu e, bem, a folha de papel.
A vida num iPod sem fones
Tentei ficar um dia sem ouvir música e não consegui. Me senti uma tela em branco, esperando ansiosamente para ser preenchida com cores. Queria ser azul como Belle & Sebastian, La Rocca e José González. Queria que me dessem pinceladas bruscas de vermelho como Dresden Dolls, David Bowie e Peaches. Queria ser pintada; precisava ser cheia. Nem que fosse preto e branco como Louis Armstrong, Henry Mancini e Ray Charles. Então peguei meu iPod, conectei os fones de ouvido e selecionei as músicas aleatórias. Sorri e saí andando, feliz da vida, sem uma preocupação no mundo.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Bela infância
Fechei os olhos uma noite e rezei silenciosamente para que a escuridão fosse preenchida com um filme. Quando abri os olhos, o mundo era exatamente o mesmo e nenhum conto de fadas invadiu meu sono. Ainda havia o mesmo ônibus todas as manhãs para um lugar desconhecido - a sala branca, recepcionada por jalecos brancos e máscaras - e a mesma prece silenciosa dentro do carro. Ainda havia a confusão, o desejo de saber o que acontecia e o motivo de toda a dor. A mesma pergunta não sumiu. O sofrimento gravado no caderno de couro azul me continuava um mistério.
A única coisa que mudou foi minha boca, que por algum motivo se cansou de dizer aquelas três palavras que deveriam manter as fundações firmes. A confusão parou de jorrar de meus lábios, e no lugar surgiu um silêncio. Um vazio inexplicável; o medo da resposta, que veio em forma de sangue onde não deveria haver. A narradora da história se esgueirava pela porta e eu a lançava para fora com um olhar reprovador. Ela sabia com o que lidava. Foram milhões de conflitos, guerras, bombas, tiros, acidentes, suicídios, almas perdidas.
"Agora não," suplicava. "Ainda não. Só mais um pouco."
Ela me lançava um olhar empático, fazia meia volta e deixava a casa - sempre mantendo um olho na fechadura, esperando um deslize sequer. Volta e meia, olhando pela porta entreaberta com o coração na boca, me pego lançando o mesmo olhar suplicante aos olhos vazios da dito cuja.
"Agora não," eu repito. "Ainda não. Só mais um pouco."
quarta-feira, 6 de maio de 2009
I'm crazy about Tiffany's
-Me diga algo que tenha escrito. Uma estória.
-Esse é um dos problemas. Elas não são o tipo de estória que se conta.
-Sujas demais?
-Talvez. Qualquer dia te deixo ler uma.
-Whisky e maçãs combinam. Me faça um drinque, querido. Então você poderá me ler uma você mesmo.
Muitos poucos autores, especialmente não-publicados, conseguem resistir um convite para ler em voz alta. Eu preparei um drinque para cada um de nós dois e, sentando na cadeira oposta, comecei a ler para ela, minha voz um pouco tremida com a combinação de medo de atenção e entusiasmo: era uma nova estória, a havia terminado no dia anterior, e esse inevitável senso de imperfeição não teve tempo de crescer. Era sobre duas mulheres que dividem uma casa, professoras de escola, uma das quais, quando a outra noiva, espalha notas escandalosas anônimas e previne o casamento. Enquanto leio, cada olhar que roubo de Holly faz meu coração contrair. Ela está impaciente. Ela separou as cabeças no cinzeiro, ela analisou suas unhas das mãos; pior, quando eu pareci ter capturado seu interesse, havia na verdade um olhar distante em seus olhos, como se ponderando se deveria comprar um par de sapatos que vira em alguma vitrine.
-Este é o fim? - ela perguntou, acordando. Ela procurou algo mais para dizer. - É claro que eu gosto de lésbicas. Elas não me assustam nem um pouco. Mas estórias sobre lésbicas me entediam mais que tudo. Eu simplesmente não consigo me colocar em seus lugares. Bem, mesmo, querido, - ela disse, porque eu estava claramente confuso. - Se não é sobre um casal de velhas sapatonas caminhoneiras, sobre que diabos é a estória?
Mas eu não estava no humor de compor o erro de ter lido a estória com a futura vergonha de ter de explicá-la. A mesma vaidade que me levou à tamanha exposição, agora me forçava a taxá-la como insensível, burra e amostrada.
-Incidentemente, - ela disse. - Você acontece de conhecer uma lésbica boazinha? Estou procurando por uma parceira de quarto. Bem, não ria. Eu sou tão desorganizada que simplesmente não consigo pagar uma empregada; e, mesmo, sapatões são ótimas donas de casa, elas amam fazer todo o trabalho, você nunca precisa se preocupar com vassouras e descongelar e lavanderia. Eu tinha uma colega de quarto em Hollywood, ela atuava em faroestes e eles a chamavam de Lutadora Solitária; mas eu vou lhe dizer algo, ela era melhor que um homem na casa. É claro que as pessoas acham que eu sou meio lésbica eu mesma. E é claro que eu sou. Todos são: um pouco. E daí? Isso nunca desencorajou um homem antes. Na verdade, isso parece animá-los. Olha só a Lutadora Solitária, casada duas vezes. Normalmente sapatões se casam apenas uma vez, pelo nome. Parece ser tão oficial hoje em dia, ser chamada Sra. Alguma-coisa Outra-coisa. Isso não é verdade! - ela estava olhando para o relógio. -Não pode ser 4:30!
terça-feira, 5 de maio de 2009
O jogo começou
Uma venda é amarrada em volta da minha cabeça e eu saio a tatear pelos cantos. Escuto uma voz doce cantando na esquina e um sorriso dá o ar de sua graça em minha expressão. Uma risada de criança, um cachorro latindo, um cumprimento gritado, um toque no meu ombro.
Abro os olhos. A voz doce pertence a um trovador sem uma perna. A risada pertencia à uma criança de lábios leporinos. Me desespero. O cão que latia foi atropelado pelo caminhoneiro que gritava seu alô e distraía-se na estrada. Viro-me com olhos de aflição e quem havia me cutucado era meu anjo.
-Sorte está nos olhos de quem vê.
Recoloco a venda e me isolo na conotação de não enxergar.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Arte de viver
Descobri meu maior talento; serei artista. Acordo de manhã e esculpo um sorriso no meu rosto. Vou pra escola e finjo estudar com uma pintura démodé de números, letras, triângulos e fórmulas. O sinal toca e eu entro no carro. A conversa com a minha mãe é uma discussão filosófica acalorada sobre notas, dinheiro e escola. Em casa, o dever de casa é um filme que passa sem eu assistir. Subir as escadas é quase um samba. O banho é um concerto, com um banquinho e um violão. Meus pensamentos são um livro que eu recito sem ler. Eu vou dormir novamente, e, surpresa! A escultura é permanente! Socorro, meu rosto está cravado com uma única expressão.
sábado, 2 de maio de 2009
Escória do Universo
Eu ligo a cobrar, eu peço carona, eu pego dinheiro emprestado, eu furo fila de banheiro, eu escolho a música no carro dos outros, eu dou direções sem ter certeza, eu desconheço senso de certo e errado.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Não dou valor...
À isqueiros bic. Meu pai. Canetas bic. Unhas do pé. Rede Globo. Um certo amigo. Uma certa amiga. Meu blog. Um cigarro no meio de vinte. Um amigo no meio de vinte. Vinte amendoins no meio de cem. Rádio. Religião. Primos. Lanternas. Pilhas. Minha nação. Controle remoto da TV. Warner channel. Parques de diversão. Tempero na comida.
Coisas que eu não levo na minha mala de viagem, mas sempre sinto falta quando acabam.
Coisas que eu não levo na minha mala de viagem, mas sempre sinto falta quando acabam.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Vícios
Os vícios me possuíram. Uma água certa hora, um café de vez em quando, um café toda hora, uma boca quando convém. Diversão quando não quero, um beijo quando propício, uma risada com amigos velhos quando convém. Uma ligação quando o mundo entedia, um drama quando necessário, um drama quando desnecessário, um drama quando convém. Um texto quando invejo, uma lágrima quando entristeço, uma mensagem quando carente, uma risada falsa quando convém. Um, dois, cinco cigarros quando dá vontade, um abraço quando avisto, uma tristeza por egoísmo, um afago quando convém.
sábado, 25 de abril de 2009
Morbidez
Parece que a morbidez tomou conta de mim, se infiltrou na minha pele, meu rosto, minha expressão, meu cabelo, minha boca. A sensatez e a sensibilidade que outrora me vinham naturalmente tornou-se forçada; o perfume que tenta disfarçar o cheiro da morbidez que se instalou em meu corpo. Música faz mais sentido agora. As notas me acalmam, me tranquilizam. O que antes era sem sentido, agora tem. Eu consigo controlar meus sentimentos exatamente como eu quiser. Eu virei um computador, uma escrava de mim mesma, obedecendo minhas ordens para sentir o que é mais fácil. Eu descobri o que nunca vou ter - e subitamente eu não tenho mais por que procurar.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Ansiedade
A ansiedade me persegue e tem um nome próprio, além de científico e popular. Existem mil maneiras de descrevê-la, nomeá-la, esclarecê-la, mas eu vou apenas chamá-la de dado. Minha ansiedade não é algo que me foi oferecido, mas sim imposto, e eu não posso dizer com certeza se é uma maldição ou uma bênção. Me mata por dentro e me dá uma razão de viver. Apaga meu fogo, mas me deixa molhada.
Assinar:
Comentários (Atom)
