Na minha cidade tem uma moça que, uma vez me contou minha mãe, passa a vida inteira desde um acidente cuidando do filho em coma. Todos os dias vai ao hospital, o limpa, faz sua barba, cuida do seu corpo, fala com ele e não deixa ninguém se aproximar. Sempre achei uma história bem triste, mas nunca conheci a moça.
Às vezes eu acho que sou essa moça, mas ao invés de cuidar de um filho cuido de mim mesma.
domingo, 18 de dezembro de 2011
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
dia de chuva
Hoje é dia de chuva, mas podia muito bem ser dia de sol. Se fosse, eu iria montar a cadeira de praia na frente da piscina e pegar uma cor nas pernas enquanto tocava meu ukulele. Ia beber uma cervejinha, talvez entrar na água e boiar por uma boa meia hora. Acho que também ia fazer uma sauna. Talvez até chamar um amigo. Ia ser um daqueles dias em que você percebe que a vida não é tão ruim assim e que você quer mais é que todo mundo seja feliz.
Só que hoje não é dia de sol. Não vai rolar piscina nem nada disso. Mas ainda assim, ainda dá pra achar legal o sorriso dos outros.
Só que hoje não é dia de sol. Não vai rolar piscina nem nada disso. Mas ainda assim, ainda dá pra achar legal o sorriso dos outros.
sábado, 3 de dezembro de 2011
Aquele momento
Aquele momento mágico em que você cansa de reclamar da vida, esquece o passado, manda quem te machucou ir se foder, liga o primeiro cd da Avril Lavigne no último volume e dança pela casa com roupa de baixo mesmo que na verdade você esteja de calça e blusa.
sábado, 26 de novembro de 2011
sábado, 19 de novembro de 2011
PLAY YOUR UKULELE
quit the bitching on your blog
and stop pretending art is hard
just limit yourself to three chords
and do not practice daily
you’ll minimize some stranger’s sadness
with a piece of wood and plastic
holy fuck it’s so fantastic
playing ukulele
comprei um ukulele, Amanda Palmer me deu RT por isso.
a vida não é tão fodida assim, não.
and stop pretending art is hard
just limit yourself to three chords
and do not practice daily
you’ll minimize some stranger’s sadness
with a piece of wood and plastic
holy fuck it’s so fantastic
playing ukulele
comprei um ukulele, Amanda Palmer me deu RT por isso.
a vida não é tão fodida assim, não.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
plano detalhe
Acho que no fundo a gente sempre foi meio assim. Meio plano detalhe, sabe? A gente fez da realidade o todo pela parte, mas a continuação nunca foi muito clara. De uma mão eu via uma oferta enquanto você via só isso. Uma mão. Nossa semiótica nunca foi muito perfeita. A linguagem era ambígua. Eu via olhar, você via um olho. Não que você tivesse sido idiota, eu que estudei demais o foco. Você via a beleza e a cor e se deixava sentir sem procurar um signo indicioso. Eu quero ser mais assim, mais como você, viver na primeiridade, na primeira estância, primeiro momento, ignorar o resto. Foda-se significação. Eu quero ver as cores e só senti-las. Eu achei que deveria partir pro plano geral, mas o plano detalhe é perfeito: só exige menos sensibilidade pra ser sentido.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
ritual no quarto minguante
"Mau olhado ou olho gordo é uma crença folclórica (provavelmente muito antiga por ser observada entre vários povos) de que a inveja de alguém, demonstrada pelo olhar ou não, pode vir a ocasionar a degradação do alvo da inveja ou de uma boa sorte. Para tanto, em todas as culturas em diversos tempos da história, foram criados amuletos conta o mau-olhado, como nazar."
Minha cura é um píres de sal, incenso de patchouli, um talismã de pedra ametista no quarto minguante e uma pessoa nova. :)
Minha cura é um píres de sal, incenso de patchouli, um talismã de pedra ametista no quarto minguante e uma pessoa nova. :)
domingo, 21 de agosto de 2011
grossa de cu é rola
"Você bebe demais, Camila, isso não é bom"
"Ok, parei de beber"
"Não, também não precisa parar, é que eu me preocupo com você"
"Não, eu parei"
"Poxa, mas você é nova..."
"E daí?"
"Não precisa parar"
"Você que disse que eu bebo demais"
"Mas é que é só pra diminuir um pouco..."
"Ah, vá se foder"
"Mas você é grossa, hein"
Sou grossa, mas pelo menos me decido, caralho.
Não preciso dessa merda.
Baixei a discografia do Chico Buarque.
"Ok, parei de beber"
"Não, também não precisa parar, é que eu me preocupo com você"
"Não, eu parei"
"Poxa, mas você é nova..."
"E daí?"
"Não precisa parar"
"Você que disse que eu bebo demais"
"Mas é que é só pra diminuir um pouco..."
"Ah, vá se foder"
"Mas você é grossa, hein"
Sou grossa, mas pelo menos me decido, caralho.
Não preciso dessa merda.
Baixei a discografia do Chico Buarque.
sábado, 2 de julho de 2011
terno e chinelo
Nem parece que já tenho um ano e meio de Rio de Janeiro. O barulho não me assusta mais e eu até consigo atravessar as ruas sem esperar o sinal ficar vermelho e não ser quase atropelada. No feriado levei um amigo pra casa, lá em Macaé, e ele logo arregalou os olhos quando viu. "Você tem uma casa! Nunca achei que você tivesse pai, mãe, tudo certinho!". Achei isso engraçado e outro dia contei pra uma amiga. Ela concordou: "é verdade, nunca imaginei você com pai, mãe, casa... Você é tão largada".
Largada.
Vê se pode.
Um ano e meio de Rio de Janeiro e eu sou largada.
É. Porque todos os cariocas andam de terno e gravata, né!
sexta-feira, 24 de junho de 2011
ao meu segundo amor
So little to say
But so much time
Despite my empty mouth
The words are in my mind
Please wear the face
The one where you smile
Because you
Lighten up my heart
When I start to cry
Forgive me first love
But I'm tired
I need to get away
To feel again
Try to understand why
Don't get so close
To change my mind
Please wipe that look
Out of your eyes
It's bribing me
To doubt myself
Simply, it's tiring
This love has dried up
And stayed behind
And if I stay
I'll be alive
Then choke on words
I'd always hide
Excuse me first love
But we're through
I need to taste the kiss
From someone knew
Forgive me first love
But I'm too tired
I'm bored to say
The least and I
I lack desire
Forgive me first love
Forgive me
Forgive me first love
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Um oitavo
Minhas noites em claro dedico a ti. Assim como minha fome eterna e essas malditas borboletas. Eu sinto sua falta. Fomos levadas pela diversão, o conforto, a conversa fácil de horas e horas a fio. Pagamos o preço, sim, mas levar esse soco no estômago e continuar de pé é a prova de que isso não é errado. Eu sinto sua falta. Só um oitavo de você não é suficiente, mas a gente aguenta.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Você
Você é muito mais que sexo pra mim.
Você é muito mais que um corpo incrível em um rosto maravilhoso.
Você é muito mais que palavras sedutoras.
Você é muito mais que um intensificador de ego.
Você é muito mais que a única pessoa que me faz feliz.
Você é muito mais que você pra mim.
Pra mim você é tudo isso e muito, muito, muito mais.
Por você vale a pena sorrir.
Por você eu sorrio o dia todo.
Pra mim, você é tudo.
E em português tudo soa muito mais doce,
Ou pelo menos mais perto do quanto eu realmente te amo.
Você é a melhor coisa que já aconteceu em minha vida
E talvez um dia eu lhe diga o por quê.
domingo, 15 de maio de 2011
quarta-feira, 11 de maio de 2011
sexta-feira, 8 de abril de 2011
I in U
Agora eu entendo um pouco melhor como deve ser estranho dentro da sua cabeça. Deve ser confuso demais ser arte em cada poro do seu corpo. Um campo de dentes-de-leão e folhas ressecadas voando. Caem lágrimas de ambos seus olhos. Cai uma lágrima do olho direito porque você me ama. Cai uma lágrima do olho esquerdo porque você não me aguenta mais.
E a música toca.
domingo, 27 de março de 2011
Morning Script
"Can you sing me to sleep?"
"Of course, baby."
"Thank you."
"You comfortable?"
"Uhum."
"Mmmm..."
"I'm tired."
"Well, close your eyes, baby."
"They're closed."
"Good. Hold on... Can I sing you a Brazilian song?"
"Yeah, doesn't matter... Just sing me a song."
"Ok... Here it goes..."
"Wait!"
"What?"
"I love you."
"I love you, too, baby. Good night."
"Good morning."
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Happy birthday to me (feb. 9)
Todos os olhos no calendário:
Mais um ano que eu reclamo de total indiferença.
Aqui, os dias acumulam-se
Com decisões a serem tomadas
Eu tenho certeza que todas elas foram erradas
Nesta música eu me entrego
E com essas bebidas eu pretendo entrar em colapso
E esquecer-me deste ano desperdiçado
Estes anos desperdiçados
Amigos devotados, eles desaparecem
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Vai lá, Claudia
Eu estou feliz assim, do meu jeitinho, voltando a ser como eu nunca deveria ter deixado de ser. Os acasos e incidentes da vida já não me afetam tanto, assim.
Sou mais festejar.
Deixa que os poetas chorem até dormir.Senta lá, senta.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Álcool, amigos e outros ensaios
Tem um que é assim, meio esquentadinho, sabe? Grita um palavrão por qualquer bobeira, mas normalmente antes de uma risada. "Não fode!" ele diz, e eu fodo assim mesmo. Aí tem um outro que é pura honestidade sarcástica. Você sabe quando ele gosta de você; é quando não tem dúvidas.
Tem um que é só desgraça divertida; inconsequente como só ele, que diverte a noite toda e por mais que você o odeie, no fundo você o ama de algum modo. Mas assim, também tem uma que é poesia barata da cabeça aos pés, e cada frase dela merece um aceno positivo de cabeça, como a letra de um sertanejo de corno que não sai da sua cabeça. Uma outra é louca, do tipo que aceita qualquer proposta, que sobe um morro perigoso só para estar mais perto da lua.
Também tem uma que sente no fundo da alma, de forma límpida e cristalina, tão honesta quanto uma criança - mas também de atos tão estúpidos quanto uma. Tem a distante, que mal aparece, mas que nunca te esqueceu.
Tem a carente e tem o desapegado. Tem uma chatinha, mas fiel, e tem um divertido, mas sem crédito. Tem gente de todo tipo, assim, pra dar e vender.
Esses são alguns dos meus amigos.
Quem gosta de mim só gosta porque eu sou um pouco de cada um.
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