segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Interseção de extremos
É o pessimismo repetido que me deixa assim, dois séculos atrasada. Onde de céis azuis tiro ausência de nuvens e de céis nublados tiro ausência de luz. Não é o Byronismo que eu procuro, entenda, é a moça do tempo que me faz o que sou. E é nessa interseção de Lord Byron e Jean-Paul Sartre que eu passo meus dias. Eu gosto e tudo continua na mesma.
domingo, 30 de agosto de 2009
Oitava Cor
Hoje o dia amanheceu com algo extra, uma presença no ar, uma oitava cor. Não consegui enxergar, então sigo a rotina com minha metralhadora mentirosa e tentando ignorar a presença estranha que pesa no peito. É como um corpo estranho dentro de mim; meu sistema imunológico consegue sentir a diferença, tenta expulsar, mas não consegue. A presença estranha não é algo que pode-se livrar facilmente: ela fica ali, à espreita, esperando o menor desvio de atenção pra se fazer entendida. Eu sigo o dia, vazia de alma, cheia de proteções e armas. Não é qualquer um que se aproxima, não, porque a presença me segura, me deixa paranóica, aumenta as suspeitas, machuca o peito. E é assim que eu passo meus dias; na distância, assistindo a tudo acontecer de cima, desejando poder controlar a cena, mas sem forças para tentar mudar qualquer coisa.
É só quando eu vou dormir que tenho paz: os pensamentos de "e se?" me invadem, me tranquilizam e me fazem esquecer a presença da ausência.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Milk Thistle
Don't be scared of nothing, you go pound for pound.
You'll bring peace to midnight like a spotted owl.
I'll be rooting for you like my favorite team.
If somebody sweats you, just point them out to me.
You'll bring peace to midnight like a spotted owl.
I'll be rooting for you like my favorite team.
If somebody sweats you, just point them out to me.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Fim do Mundo
O fim do mundo não tem prédios em chamas, gente com medo, crianças abandonadas. Não tem céu vermelho, cheiro de sangue, não tem gritos. Não tem nem barulho. O fim do mundo é o silêncio de um céu nublado com um leve tremor palpitante. São os pássaros de canto ocioso, as ruas de carros sem motores, os jornais de letras borradas, as calçadas de gente parada. Não tem nem lágrimas. Não tem despedidas. Não se vê, não se toca, não se fala. Apenas se sente.
-É um bom dia para morrer, diz uma criança para outra.
-É, ela responde.
Então tem uma lágrima. Esse é o fim do mundo.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Homesick
Every day there's a girl in the mirror asking me
"What are you doing here?"
Finding more that previous motifs, growing increasingly unclear.
domingo, 16 de agosto de 2009
sábado, 15 de agosto de 2009
mãe
Um minuto de silêncio pode dizer muita coisa. Pode ser suspense, pode ser medo, pode ser vergonha. Pode ser arrependimento. Uma olhada no rosto do seu brinquedo - aquele que você comprou 17 anos atrás e que era tão lindo quando era novo, mas agora está velho, não te diverte, sofreu curto circuito e não faz mais tudo que vinha escrito na caixa. No lugar de frases prontas e satisfatórias, sons e grunhidos que você não se importa em tentar entender. Arrependimento profundo, porque ele já não te satisfaz. O silêncio paira no ar enquanto você analisa o brinquedo e percebe que já não ama tanto. A tinta que desenhava meu sorriso desbotou, mãe, mas foi você que não cuidou direito do seu brinquedo. Tanto tempo e dedicação para conseguir o dinheiro para comprá-lo e agora, 17 anos depois, só resta o arrependimento e o rancor por ele não ser reciclável.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
10:10, 16:16, 18:18, 19:19, 20:20
Olho no seu presente a hora repetida, disfarço um sorriso, o coração aperta. Me deixa sonhar, meu amor, que o infinito nunca acaba. Me deixa sonhar que é imortal sim, mesmo posto que é chama. Eu te amo e não quero nada mais. Porque acima de te querer em cima de mim, te quero do meu lado.
Porta Azul
Música alta, roupas bonitas, corpos dançantes, shots diversos. Não sei por que saí. A porta bateu atrás das minhas costas e instantaneamente abafou o som da música alegre. Tudo o que restou foi o silêncio, o frio, o vazio. Senti medo e me virei, mas a porta não se mexeu. Estava trancada do lado de fora e sozinha. Por que eu saí? Era tão familiar a sensação, quase confortante, mas mais assustadora que qualquer coisa.
Posso ligar pra quem eu quiser. Sei de uma pessoa que já me deixou trancada de fora, mas que agora correria para abrir a porta. Sei de mil pessoas que me querem do lado de dentro. Posso ligar para qualquer um deles, mas essa porta só eu posso abrir. Desse vazio, desse frio, dessa solidão, só eu posso me salvar.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
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