Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Inércia
Ultimamente os dias têm passado vagarosamente, refletindo em noites acesas e grosseria infundada. Na verdade algo sempre esteve fora do lugar - não como se faltasse algo, mas sim como se tivesse de tudo, mas ainda assim não funcionasse. Seis meses de noites em claro provam meu ponto.
O que assusta de verdade é a completa e total inércia que tomou conta de mim. Não quero mais gritar. No lugar dos constantes esbravejos de ódio e ponderações sobre os por ques da vida, minha mente agora só é preenchida por uma música cuja letra eu ainda não aprendi.
We must plunge, we must plunge, we must plunge.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
my one and true love
Ataque de gatos sobre caixas de fogão, calangos fujões, passarinhos de asa quebrada, pintinhos destroçados, sapos envenenados, coice de boi, carrapatos - muitos, muitos carrapatos. Pulgas tontas, SBP, cerveja, fanta uva, chiclete, cocô de cavalo, Saori, Pooh, Lubi, gato-cabeça-de-cone, fucinho desbotado, olhos de jabuticaba. Três sapatinhos, dois coelhos, um elefante, milhões de fulgas, muitas, muitas saudades.
sábado, 5 de junho de 2010
o elevador
Então tem essa menina e ela acabou de chegar em casa depois da escola e ela saltou da van escolar pra entrar em casa. O motorista espera ela entrar e depois parte para entregar as outras crianças e a menina chama o elevador do prédio. O porteiro puxa assunto e ela responde, porque sua mãe disse para não falar com estranhos, mas o porteiro é conhecido e consertou a torneira do banheiro dela, já que seu pai perdeu uma mão num acidente num estaleiro ao lado da maior ponte do mundo. Então o elevador chega e a menina entra e aperta o botão do décimo sétimo andar e fica esperando pacientemente, até que o vizinho triste de barba branca do 1706 entra no terceiro andar e fica com a cara amarrada ao lado da menina. Ela fala bom dia, mas ele simplesmente entorta a cabeça para a direita e a menina olha hipnotizada para seu gogó enorme que salta do pescoço e parece que vai furar a pele. Até que o elevador de repente pára - pára totalmente com um baque surdo no décimo quinto andar e as luzes se apagam e a menina não escuta mais nada além do barulho de fios elétricos estourando e o elevador balançando. Os dois sentem o elevador cedendo e a menina já tem lágrimas nos olhos e grita: "O que está acontecendo?!" e o velho segura seus dois ombros e olha para ela e diz: "Nós vamos para o parque. O parque de diversões. É a Disney - a Disney é sua! Não tem nenhuma fila e você tem altura para ir na montanha russa. Parabéns, querida." E então ele começa a cantarolar uma música e o passeio começa.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
haligh, haligh, a lie, haligh
Agora nós falamos com línguas arruinadas
e as palavras que dizemos não são direcionadas a ninguém.
É apenas uma frase resmungada para um conhecido que passa
mas uma vez havia
você.
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