quinta-feira, 29 de abril de 2010

Like a Looney Tune

Não é para me vitimar que digo que as únicas coisas estáveis na minha vida são as respirações ritmadas que se mesclam como uma e ecoam pela casa a noite. Não durmo por falta de opção, verdade, mas o impedimento é de todo meu. Das encruzilhadas decididas na sorte, avisos de "Pare" ignorados e sinais ultrapassados ainda não me arrependo - absolutamente. O fato é que, como Coiote Coió, comecei a perseguição de maneira racional e planejada; me empolguei com o prêmio próximo demais e o tomei como garantido. Persegui de maneira descompassada e por vezes tentei pegar atalhos estúpidos: culpa das minhas multifacetas. Meu alvo lançou suas armadilhas bobas e eu caí nelas, mas jamais desisti do prêmio. Corri. Corri bastante. De fato, com o perdão da palavra, corri pra caralho. Achei que não podiam me culpar por isso - e talvez não possam mesmo, apesar de, como já disse, não querer me vitimar aqui. Mas a verdade é que o detentor da culpa já não importa. Perdi meu alvo de visão e, como o Coiote Coió, quando olhei pro chão, havia pulado do penhasco - minhas pernas balançando inutilmente sobre os 500 metros de altura que me esperavam.

sábado, 24 de abril de 2010

delilah

Eu tenho costelas altas e penso demais. É como se assim que me ocorre um pensamento, minha mente faz questão de dissecá-lo em busca de diferentes interpretações antes de poder libertá-lo pela minha boca. Mas ao mesmo tempo, eu também não penso tanto, porque enquanto tudo é bem simples, eu desmonto e não consigo remontar de volta ao sentido original.
Às vezes eu queria ser mais como ela, cujos problemas não fazem tanta diferença na hora de formar um sorriso. Ela, que desenvolve um texto enorme e coerente sobre uma frase que ouviu há semanas e tira notas boas. Ela, que come carboidratos à vontade, sem aumentar um centímetro na circunferência e sabe o nome de todos os presidentes do Brasil. Quando ela fala, todos prestam atenção. Quando ela ri, todos sorriem. Ela é o tipo de pessoa que todos acham esforçada só por ficar parada e ser bonita. O simples ato de respirar parece uma tarefa precisa e bem executada por ela.
Ela não é muito engraçada, nem muito asseada. Ela coleciona moedas raras e usa esmalte de cores muito sem graça, mas seu menor sorriso é suficiente para alegrar o dia de qualquer um. Ela não tem nada na cabeça - e por isso encanta a todos.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Pra que gastar meu tempo pra demonstrar meu ódio quando Lily Allen o faz tão perfeitamente?
Fuck you, fuck you very very much! :)

terça-feira, 6 de abril de 2010

it's cool, we can still be friends

Você diz que eu te machuquei e sua voz é como uma prece. Talvez eu tenha te machucado um pouco, vamos comparar e contrastar: levanta sua camisa, a ferida não está lá.

sábado, 3 de abril de 2010

everybody loves a big fat lie.

Hoje eu não vou quebrar a cabeça e perder meu tempo pensando numa metáfora trágica tão quão meu desencanto. Babaca é quem desperdiça palavras pra descrever a dor; desperdiça uma tela pra mantê-la monocromática. Mas mais babaca ainda é quem vê arte numa tela de uma cor só.
Por isso hoje vou poupar minha inteligência e meus esforços pra não criar nenhum fuzuê com minha história. Dor transborda inspiração, mas não é arte. É triste; é mentira.
Não há nada de conceitual em tristeza.
É só dor.