quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Necessidade estranha de viver em um lugar diferente. Saudades do lugar onde a língua que falam é diferente, onde as pessoas não viram na fila do banco para reclamar da espera ou onde as filas não existem--não de verdade, pelo menos.
Mas aqui o sol já se pôs e eu tô aqui e tô lá.
21:53 aqui, 26:53 lá.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

obviamente

"Eu não sei como não há mais gente com problemas de saúde mental. Pensar é uma das coisas mais estressantes pelas quais já passei e não conseguir articular o que quero dizer me deixa maluca. Acho que deveria tentar ler mais livros e aprender palavras novas"

segunda-feira, 4 de junho de 2012

with love, from me to you

Ex.ma Sr.ª Mãe,

Venho por meio desta prestar queixa contra a rotina inexorável de desgelo de aparelhos refrigeradores domésticos devido a sua natureza efetivamente improdutiva e amiúde. Solicito a quantia necessária para a aquisição (à vista ou parcelada) de um novo aparelho, de semelhantes funções e qualidade, mediante a prerrogativa da função frost free (degelo automatico). Desta forma, a parte interessada doravante abster-se-á de objeções virtuais, formais e/ou informais.
Desde já agradeço.

Atenciosamente,
Eu

domingo, 22 de abril de 2012

protesto a são pedro

A maior injustiça do mundo é quando chove sem fazer frio. De que adianta o molhado que não dá calafrios? Usar bota na primeira chuva depois do verão é kitsch.
Chuva sem frio é que nem amor de verão: serve pra quebrar o padrão chato do sol escaldante, mas na próxima estação de tempo sem surpresa você nem consegue lembrar quando foi a última vez que choveu.
As pessoas precisam de mais tempestades e aventuras sem eletricidade, não chuvas cafonas. Cachecóis, botas e luvas. Vodka sem suor. Respiração que parece cigarro.
Chega de chuva cafona. Abaixo chuvas cafonas!

domingo, 15 de abril de 2012

Não gosto de folk.

Minha vida tem duas soluções:
1-Ouvir mais música folk;
2-Parar de existir.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

out of all the charlie browns in the world, I am the charlie browniest

Não tem uma única pergunta na vida cuja resposta não esteja em uma das histórias do Snoopy e Charlie Brown.

"Por que não podemos pegar todas as pessoas do mundo que nós gostamos de verdade e então ficarmos todos juntos? Acho que não daria certo. Alguém iria embora. Alguém sempre vai embora. Então teríamos de dizer adeus. Eu odeio adeus. Eu sei do que preciso. Preciso de mais olás."

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Todo mundo ficando velho e eu ficando mais nova. Com 15 eu tinha 20, com 20 tenho 17--e vai seguindo, seguindo, e diminuindo, e aumentando até que algum ponto todos meus motivos morrem de aids e câncer e lúpus e quimioterapia e o cabelo cai e de que eu valho?
Acaba tudo e eu existo, existo.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

ele

Ele chega de mansinho e aos poucos vai te envolvendo. Aí você é pega de surpresa e vai se deixando ser guiada em sua dança. Ele te gira e gira mil vezes, até você ficar tonta, e de repente o ritmo lento vai acelerando e acelerando até você não conseguir mais sair dos braços dele. Vocês pararam de girar há tempos, mas o cenário ainda dá voltas eventuais. Você vai se deixando levar pelo estupor do seu toque, cheiro, aparência e sorriso torto. Ele nem é bonito. Ele te repulsa, até. Mas os rodopios desajeitados são como uma droga - e pelo menos desse jeito o mundo continua girando. Você não percebe - ou pelo menos finge que não -, mas lentamente ele suga sua vida pra fora de você. Então as cores almodóvar vão sumindo e sumindo, como tinta de cabelo descendo ralo abaixo, mas o movimento da água cristalina rodopiando e rodopiando te hipnotizam. Então você pára de apertar a mão contra a dele e o deixa te guiar. Você nem percebe, mas nesse meio segundo ele te envelheceu 20 anos. Seus olhos caíram, seu rosto precisa de cada vez mais maquiagem e seu cabelo vai ficando branco e branco e branco.

domingo, 22 de janeiro de 2012

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Acho que estou calada há tanto tempo que o gosto ruim que fica na boca acabou por confundir meus outros sentidos