segunda-feira, 19 de setembro de 2011
plano detalhe
Acho que no fundo a gente sempre foi meio assim. Meio plano detalhe, sabe? A gente fez da realidade o todo pela parte, mas a continuação nunca foi muito clara. De uma mão eu via uma oferta enquanto você via só isso. Uma mão. Nossa semiótica nunca foi muito perfeita. A linguagem era ambígua. Eu via olhar, você via um olho. Não que você tivesse sido idiota, eu que estudei demais o foco. Você via a beleza e a cor e se deixava sentir sem procurar um signo indicioso. Eu quero ser mais assim, mais como você, viver na primeiridade, na primeira estância, primeiro momento, ignorar o resto. Foda-se significação. Eu quero ver as cores e só senti-las. Eu achei que deveria partir pro plano geral, mas o plano detalhe é perfeito: só exige menos sensibilidade pra ser sentido.
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