segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Insanidade ao contrário

Vai, cérebro, funciona. Quisera eu ser insana, porque pelo menos esses são felizes. Vivem suas vidas sem perceber o tédio do mundo e como tudo pode ser tão estupidamente monocromático. A minha doença não tem nome. Ela pesa os olhos, derruba os ombros, distorce a expressão, tira aquele it que todo mundo tem. Porque todo mundo nasce com isso, mas só aparece mais tarde, quando alguma coisa acontece; quando algum agente dispara a doença e ela começa a agir.
Primeiro é devagar, você acha que é cansaço. Depois é mais forte, você culpa os hormônios. No final é insuportável, não dá pra entender, você culpa umas sinapses mal feitas, um parafuso solto, um curto circuito; qualquer coisa. O mais próximo é a insanidade, mas quisera eu ser insana, porque pelo menos esses são felizes.
Essa doença tem um diagnóstico, mas não é físico, hormonal ou mental.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Alguns dias

Alguns dias passam como se não fossem nem um pouco meus... Eu sou uma estranha na casa de outra pessoa, dormindo na cama de outra pessoa, vestindo as roupas de outra pessoa, poluindo o monóxido de carbono de outra pessoa. Mas não importa o quão fora do meu corpo minha mente está, os lábios que eu beijo nunca pertencem a outra pessoa. E é isso que importa.