quinta-feira, 29 de abril de 2010
Like a Looney Tune
Não é para me vitimar que digo que as únicas coisas estáveis na minha vida são as respirações ritmadas que se mesclam como uma e ecoam pela casa a noite. Não durmo por falta de opção, verdade, mas o impedimento é de todo meu. Das encruzilhadas decididas na sorte, avisos de "Pare" ignorados e sinais ultrapassados ainda não me arrependo - absolutamente. O fato é que, como Coiote Coió, comecei a perseguição de maneira racional e planejada; me empolguei com o prêmio próximo demais e o tomei como garantido. Persegui de maneira descompassada e por vezes tentei pegar atalhos estúpidos: culpa das minhas multifacetas. Meu alvo lançou suas armadilhas bobas e eu caí nelas, mas jamais desisti do prêmio. Corri. Corri bastante. De fato, com o perdão da palavra, corri pra caralho. Achei que não podiam me culpar por isso - e talvez não possam mesmo, apesar de, como já disse, não querer me vitimar aqui. Mas a verdade é que o detentor da culpa já não importa. Perdi meu alvo de visão e, como o Coiote Coió, quando olhei pro chão, havia pulado do penhasco - minhas pernas balançando inutilmente sobre os 500 metros de altura que me esperavam.
