terça-feira, 9 de junho de 2009

Auréola

Levanto uma bagunça, me visto de roupas surradas, quebro a lei enlouquecidamente pelas ruas. O cabelo é um emaranhado de fios negros, as pernas são curtas e os braços tortos. Meus olhos ficam caídos, os passos são lentos e mal calculados e o fedor de cigarro me persegue. Com a caligrafia torta, anoto o que me obrigam. Com uma caneta roubada, rascunho besteiras nos cantos das páginas. Passo o dia em fome, passo a noite em claro. Sou uma bagunça sem fim, mas tudo faz sentido quando olho em olhos que me enxergam com uma auréola, e, por um segundo, eu acredito no reflexo.