quarta-feira, 17 de junho de 2009
O Palhaço
Vermelho no papel, preto no humor, branco no sono. Desenho um sorriso num papel usado, recorto com uma tesoura cega e colo no meu rosto com cola de bastão. Conto histórias e mentiras; me perco na linha que os divide. Limpo meu nariz sangrento no banheiro e rio do palhaço que me ri de volta através do espelho. Ele tem uma máscara porca, suja, mal feita, e eu rio de sua maquiagem borrada. Uma ponta do seu sorriso falso está caindo. Palhaço porco, imundo. Há algo que posso fazer por você? Há alguém para quem eu posso ligar para te socorrer? Honestamente, eu não queria rir tão alto. Apenas parecia absurdo dizer que você veio trazer alegria com passos atrapalhados e sorriso borrado. Afinal de contas, o vermelho do nariz do palhaço não é de sangue.
