quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

The Green Mile

Nesse final de férias, os dias têm passado como meses: arrastados, lentos e dolorosos. Cada hora do dia é algo que eu deixo para mais tarde. Atraso meus deveres e prazeres para no fim me surpreender com o relógio e o calendário. O dia passou; e eu na mesmice. Mas parece absurdo viver esse fim de férias, porque minha última semana é como a preparação pra guilhotina. Medo. Aceitação. Arrependimento. E ainda assim, um pouco de ânsia. Vontade de me jogar no rio de jacarés, pronta para ser devorada e destroçada até a morte. Mas a verdade é que, talvez, no fundo, no fundo, esse desejo venha da certeza, ainda que pequena, de que eu vou sobreviver. Fora de casa, longe do conforto, sozinha no rio de jacarés esfomeados, o nado não vai ser tranqüilo, mas eu sei que vou conseguir. E talvez, no fundo, no fundo, o medo seja do outro lado. Talvez essa não seja a cadeira elétrica. São apenas quatro anos de caminhada lenta pela milha verde.