sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Free Bird

Nas últimas três semanas eu tive três encontros curiosos com pássaros.
Na primeira semana, enquanto conversava com um amigo no telefone, uma rolinha confusa vôou janela adentro no meu quarto e bateu de cara com meu espelho, que refletia o lado de fora. Continuou assim, confusa, batendo e batendo contra o espelho. Desliguei o telefone e fechei as portas para, então, capturá-la numa caixa de sapatos e soltá-la janela afora. Ela vôou.
Na segunda semana, cheguei na faculdade de mala pronta para viajar logo depois da aula. Sentei com meus amigos no laguinho quando alguém reparou algo se movendo na água. Quando vi, era outra rolinha, dessa vez filhote ainda, se afogando tentando sair do lago. A peguei em minhas mãos, a sequei com uma das toalhas usadas que tinha na minha mala e cuidamos do filhotinho enquanto assistíamos a aula do ilustríssimo professor Paulo. O filhotinho pulou da mesa, entusiasmado, pronto para voar novamente. Nós o colocamos no mato, perto do laguinho, e, quando voltamos, ele não estava mais lá. Ele vôou.
Na terceira semana, hoje, cheguei em casa de viagem e subi pro meu quarto. Assim que deitei na cama, algo se moveu do meu lado e vôou para a televisão. A princípio achei que fosse uma borboleta, mas quando parei para olhar: outra rolinha. Repeti o processo da primeira semana, fechando as portas e a capturando com uma caixa de sapato para, então, soltá-la pela janela. Ela também vôou.
Parei para pensar.
Como os três passarinhos, algo está me prendendo. Não era para existir essas janelas no caminho, muito menos lagos artificiais onde eu deveria dar meu primeiro vôo. Mas eu continuo me afogando e batendo de cara no espelho, achando que é o céu. Só falta agora alguém para me pegar e me mostrar a janela de verdade. Aí, quem sabe, eu também vôo.