A única coisa que mudou foi minha boca, que por algum motivo se cansou de dizer aquelas três palavras que deveriam manter as fundações firmes. A confusão parou de jorrar de meus lábios, e no lugar surgiu um silêncio. Um vazio inexplicável; o medo da resposta, que veio em forma de sangue onde não deveria haver. A narradora da história se esgueirava pela porta e eu a lançava para fora com um olhar reprovador. Ela sabia com o que lidava. Foram milhões de conflitos, guerras, bombas, tiros, acidentes, suicídios, almas perdidas.
"Agora não," suplicava. "Ainda não. Só mais um pouco."
Ela me lançava um olhar empático, fazia meia volta e deixava a casa - sempre mantendo um olho na fechadura, esperando um deslize sequer. Volta e meia, olhando pela porta entreaberta com o coração na boca, me pego lançando o mesmo olhar suplicante aos olhos vazios da dito cuja.
"Agora não," eu repito. "Ainda não. Só mais um pouco."
