terça-feira, 5 de maio de 2009

O jogo começou

Uma venda é amarrada em volta da minha cabeça e eu saio a tatear pelos cantos. Escuto uma voz doce cantando na esquina e um sorriso dá o ar de sua graça em minha expressão. Uma risada de criança, um cachorro latindo, um cumprimento gritado, um toque no meu ombro.
Abro os olhos. A voz doce pertence a um trovador sem uma perna. A risada pertencia à uma criança de lábios leporinos. Me desespero. O cão que latia foi atropelado pelo caminhoneiro que gritava seu alô e distraía-se na estrada. Viro-me com olhos de aflição e quem havia me cutucado era meu anjo.
-Sorte está nos olhos de quem vê.
Recoloco a venda e me isolo na conotação de não enxergar.