segunda-feira, 11 de maio de 2009

A história de um cachorro chamado Barnabé

Dizer que Barnabé era um belo cão seria uma subestimação. Com seus macios pêlos cor creme, sua expressão de cachorro levado e seu fucinho extremamente negro, tão negro que mais parecia uma jabuticaba, Barnabé era, no mínimo, o mais belo cão da cidade.
Dormia com seus donos em uma cama de molas confortável e os retribuía com seus beijos lambuzados, um extremo apreço e lealdade sem fim. Mas, acima de tudo, Barnabé era apenas um cão. Era levado para passear, soltava seus dejetos pela rua e latia para gatos. Balançava o rabo por não poder sorrir e latia por não poder falar.
Barnabé levantava com seu dono pela manhã e partia para sua caminhada matinal. Comia um pote cheio de ração para cães, acompanhava a dona pelos cantos onde sua presença era permitida e pedia carinho. Podia dormir o dia inteiro ou brincar pelo jardim. Podia ficar deitado apreciando a empregada trabalhando ou correr com as crianças. Podia comer o dia inteiro ou simplesmente dormir. Podia fazer travessuras ou comportar-se.
Mesmo visto como o mais belo dos cães, Barnabé ainda era apenas um labradoodle. Para o mundo, Barnabé não pensava e não via cores. Mas o que os homens não sabiam era que, mesmo que cientificamente Barnabé visse o mundo preto e branco, na realidade sua vida era um belo arco-íris. Do mesmo jeito que suas vidas eram cientificamente coloridas, mas teoricamente preto e branco. Eles apenas não sabiam disso porque pensavam demais.